Sobre "Home" e representatividade

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Feriadão mil grau, clima chuvoso, Netflix dando sopa... Não deu outra, resolvi procurar um filme. E então me aparece um tal de "Cada um na sua casa" (Home, em inglês), com personagens bonitinhos e um enredo bem atraente para mim. Meu guilty pleasure, além de filmes clichês de ensino médio, são animações. O que posso fazer?

Tudo começa com um planeta de alienígenas bonitinhos, os Boovs, que falam tudo errado, preparados para se mudarem para a Terra. O personagem principal, Oh (nome em inglês), com voz do Jim Parsons, nos é apresentado de forma divertida. Todo entusiasmado e desajeitado, ele está morrendo de ansiedade para se mudar.

Tudo está indo muito bem, mas os Boovs resolvem transferir todos os humanos para a Happy Humanstown para terem o planeta só para si mesmos. Todos são abduzidos, menos uma garotinha.


Gratuity Tucci, Tip para os amigos, ganha vida na voz de Rihanna, é negra de cabelos afro com uma personalidade forte e determinada, e me encantou. Se eu, que tenho cabelos lisos e sou morena, me senti extremamente feliz, imaginem então como se sentiu uma menininha negra vendo o filme pela primeira vez e se enxergando como a personagem.

Nunca vou me cansar de falar o quanto a representatividade é importante. Ver personagens como a Tip em animações infantis é incrível, porque mostra para as crianças dessa geração que elas podem sim serem super-heroínas ou melhor ainda, amigas de aliens fofinhos. 

Muitas vezes não percebemos mas são as pequenas coisas que apresentamos às crianças que formam as opiniões delas em relação a determinados assuntos. Por exemplo, é difícil falar para um menino que ele pode ser designer de moda se quiser quando durante toda a sua vida, ele foi ensinado que isso é coisa de mulherzinha.

Mas "Home" quebra todos os paradigmas de que é sempre a menininha branca de olhos azuis que salva o mundo. Não é assim na vida real, então não tem sentido o Cinema propagar essa realidade utópica que deixa de lado muitas minorias.

Ensinar a nova geração (e a velha também) que existem várias pessoas diferentes mundo afora é uma tarefa a ser cumprida. A indústria cinematográfica, como formadora de opinião, tem que ajudar do jeito que melhor sabe: representando. Representando garotinhas negras, pessoas com problemas na saúde mental, LGBTs... Enfim, diversidade.

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